Cidade brasileira tem 93% da população dependente do Bolsa Família
A informação foi divulgada por dados oficiais do Portal do Bolsa Família, do IBGE, do CAGED e do Portal da Transparência, além de levantamentos econômicos citados por análises independentes. Juntos, esses números ajudam a entender uma realidade que, à primeira vista, parece improvável, mas que existe no Brasil de forma concreta e documentada.
Localizada no estado do Amapá, Itaubal do Piririm chama atenção por um dado que, isoladamente, já seria suficiente para causar espanto: 93% da população depende do Programa Bolsa Família para sobreviver. Em um município com cerca de 6 mil habitantes, aproximadamente 5.640 pessoas fazem parte de famílias cadastradas no programa. Ou seja, praticamente toda a cidade.
No entanto, à medida que os dados se acumulam, o cenário se torna ainda mais complexo. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), existem apenas 29 trabalhadores com carteira assinada em todo o município. Isso representa um emprego formal para cada 215 moradores, um índice extremamente fora do padrão nacional e que praticamente elimina a existência de um mercado de trabalho local.
O tamanho da máquina pública em um município sem arrecadação
Quando se analisa o orçamento municipal, a sensação é a de observar uma cidade que existe formalmente, mas não se sustenta na prática. A previsão orçamentária de 2024 indicava uma receita líquida superior a R$ 20 milhões. À primeira vista, esse valor parece elevado para um município tão pequeno.
Entretanto, ao detalhar a origem desses recursos, o quadro muda completamente. Menos de R$ 800 mil vêm de arrecadação própria, somando IPTU, ISS, taxas e multas. Todo o restante é composto por repasses federais, enviados justamente porque a cidade não consegue gerar recursos suficientes por conta própria.
Esse desequilíbrio se reflete diretamente no custo da estrutura administrativa. Em 2024, segundo dados do Portal da Transparência, Itaubal possuía 651 servidores ativos. Trata-se de um número elevado para um município com baixa densidade urbana, quase nenhuma frota veicular e pouquíssimas empresas funcionando.
A folha de pagamento do Executivo e do Legislativo consome cerca de R$ 10 milhões por ano, o que representa quase metade de todo o orçamento municipal. Na prática, é como se a cidade existisse para sustentar a própria estrutura administrativa.
Para facilitar a visualização, alguns números chamam atenção:
- 93% da população dependente do Bolsa Família
- 29 trabalhadores com carteira assinada
- Menos de 80 veículos registrados
- R$ 15 mil de renda média anual por pessoa
- R$ 173 mil de salário anual do prefeito
- 651 servidores ativos
- R$ 10 milhões gastos com pessoal
- Menos de R$ 800 mil de arrecadação própria
Esses dados ajudam a explicar por que o município opera em permanente desequilíbrio financeiro.
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